Cinco anos após ser presa no lugar da irmã, jovem conta que teve depressão e pânico: 'Quero que ela siga a trajetória dela em paz'

  • 14/04/2024
(Foto: Reprodução)
Danielle Estevão chegou a ficar 11 dias presa por conta de um erro na investigação. Ela foi confundida com a irmã, que era acusada de roubar duas lojas na Baixada Fluminense. Daniella foi presa e cumpriu 5 anos de pena pelos crimes que cometeu. Daniela e Danielle Estevão Arquivo pessoal Uma família unida, mas com muitas dores compartilhadas. A dor da saudade, do luto, mas, principalmente, a dor do cárcere. Cinco anos após ser presa no lugar da irmã, Danielle Estevão Fortes, de 31 anos, conta que desenvolveu depressão e síndrome do pânico. Em 2019, ela passou 11 dias presa no Complexo Penitenciário de Gericinó no lugar de Daniela, que era acusada de roubar duas lojas de aparelhos telefônicos na Baixada Fluminense. Depois da confusão ser desfeita, Daniela foi presa e passou cinco anos no presídio. A jovem, de 29 anos, cumpriu pena por roubo majorado e ganhou liberdade no dia 4 de abril. A semelhança no nome das duas fez investigadores da Polícia Civil prenderem a mulher errada. Agora, cinco anos depois, nenhuma das duas deve mais nada à Justiça, mas ambas pagaram uma dívida alta. Para Danielle, pior foi quando saiu do presídio e descobriu que não tinha sido inocentada. “Eles não fizeram nada para me ressarcir de alguma forma. Eu fiquei dois anos esperando para limpar meu nome. Me soltaram, mas não me inocentaram. Ela estava presa pelas coisas que ela fez e eu estava somente em liberdade, não inocentada”, explica. Além de lidar com os problemas na Justiça, a moça tinha que encarar as consequências psicológicas do tempo em que ficou na prisão. “No momento que eu fui solta, meu nome tinha que ter saído do registro. Eu fiquei dois anos desempregada em depressão e desenvolvi síndrome do pânico. Eu adquiri muitos problemas de saúde por causa disso, mas a gente tem que seguir”, completa ela. Relembre entrevista de Danielle sobre a dificuldade em ser inocentada: Mesmo inocente, Danielle não consegue visitar irmã presa em Bangu por roubo Danielle tinha sido indiciada depois que seu nome foi confundido com o da irmã. O Ministério Público ofereceu a denúncia e a Justiça aceitou, mas tudo com nome e CPF incorretos. Foi assim que ela acabou presa e teve que lutar por dois anos para ter seu nome limpo. Além de tudo, até mesmo na hora do habeas corpus a Justiça expediu o alvará com o nome errado. “Eu tenho uma religião que eu tenho muita fé, então não fiquei desesperada, pensava: ‘no tempo certo, eu vou sair daqui’. Mas, no dia que eu ia sair meu alvará veio errado. Eu achei que ia dar tudo errado de novo. Me prenderam com meu nome errado, com o CPF dela, não tentaram colher minha digital para ver se estava certo, e até na hora de me soltarem erraram”, destaca Danielle. “Eu fui depor sobre a morte do meu irmão, e me deram voz de prisão. Foram muitos erros da polícia. A polícia sequer se retratou. Eu tive vontade de voltar na delegacia, muitos deles me apontaram, zombaram da minha cara, disseram que eu estava mentindo”, relembra. Mesmo tendo sofrido pelo erro da irmã, Danielle diz que nunca cogitou em se afastar. “As pessoas falaram muitas coisas negativas, eu sempre falava que estava do lado dela, que ia continuar apoiando ela. Ela não é o tipo de pessoa criminosa. Hoje ela está tentando se ressocializar no âmbito profissional e com a sociedade, mas a nossa família sempre esteve presente. Quero que ela siga a trajetória com o filho dela em paz”, afirma a bartender. O luto Nesses cinco anos, as duas perderam o pai, que já estava com a saúde frágil há um tempo. Presa, Daniela só soube da morte 8 meses depois. “Foi muito difícil ficar longe da minha família e do meu filho. A pior parte foi quando o meu pai morreu e eu não pude me despedir. Meu pai já estava muito debilitado. Foi muito difícil, a gente era muito unidos. Eu já estava fraca, perdi mais minhas forças”, conta Daniela. No mesmo mês em que o pai morreu, Daniela já tinha perdido o marido. Por conta disso, a família não sabia como dar a notícia do falecimento do pai. “Quando eu ia visitar, ela me dava cartas para entregar ao meu pai, eu dizia que ia entregar, mas ele já estava morto”, conta a irmã, Danielle. O apoio da família foi fundamental para que Daniela se mantivesse sã durante o cárcere. “Ali dentro a gente vive à base de calmante. É muita coisa negativa. A convivência é pesada demais, tem que ter o pé no chão e você pensa ‘não é hoje, não é amanhã, eu vou ter que ficar aqui e pagar’”, destaca ela. O pequeno Yorhan, filho dela, só tinha 2 anos quando a mãe foi presa. “Minhas forças eu tirava do meu filho. Eu tinha que aguentar porque precisava voltar, ele não podia pagar pelo que eu tinha feito e eu precisava provar para ele que eu não era isso. Eu me arrependi muito”, desabafa ela. União entre presas A empatia entre as mulheres presas foi algo que Danielle pôde experimentar durante os 11 dias em que esteve presa no lugar da irmã. Produtos de higiene, roupas para vestir e um espaço para dormir foram coisas que ela recebeu das encarceradas. “Lá dentro, eu recebi muita empatia das outras presas. Não foi de superior ou de algum agente penitenciário. As outras presas me deram comida, roupa, sem pensar duas vezes. Elas são muito unidas, independente do que elas estão ali pagando”, relembra Danielle. Enquanto isso, ela recebia o deboche e a desconfiança dos agentes penitenciários que não acreditavam na sua inocência. Relembre o caso Danielle Fortes desfila em carro aberto e acena pelas ruas de Magé após deixar presídio Reprodução/ TV Globo A bartender foi solta no dia 18 de junho de 2019 depois de ser detida por um erro de grafia no nome, e acusada de assaltar duas lojas de celulares em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 2018. Na época, ela trabalhava em um salão de beleza e foi presa enquanto ia na delegacia depor sobre a morte do irmão - que foi assassinado. Um ano antes, Daniela tinha assaltado duas lojas de celulares com um homem. Imagens de câmeras de segurança mostravam ela no interior dos estabelecimentos. Mas, pela semelhança física e com nomes parecidos, a polícia acusou a irmã Danielle. O caso tomou repercussão nacional depois que a família delas tentou provar a inocência da então esteticista, Confusão com nomes levou à prisão de irmã por engano no RJ Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2024/04/14/cinco-anos-apos-ser-presa-no-lugar-da-irma-jovem-conta-que-teve-depressao-e-panico-quero-que-ela-siga-a-trajetoria-dela-em-paz.ghtml


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